Investidores brasileiros: quem são e como investem

Entender o que é feito de melhor e de pior pelas outras pessoas em alguma atividade é a melhor maneira de ganhar tempo quando vamos iniciar ou mesmo otimizar os nossos afazeres.

Neste conteúdo, vamos abordar as principais características dos investidores brasileiros e fazer uma análise crítica do que ainda precisa melhorar para podermos dizer que o brasileiro “investe bem”.

Os dados apresentados neste texto foram extraídos do relatório “Raio-X do Investidor Brasileiro 2020”, realizado pela ANBIMA (Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) em pesquisa conjunta com o Datafolha. Os números da pesquisa refletem entrevistas de 2019.

Essa é a segunda parte da nossa análise sobre esse relatório. A primeira mostra o conhecimento das pessoas sobre finanças e o perfil econômico brasileiro como um tudo. Clique aqui para ler na íntegra.

Em fevereiro deste ano, também produzimos um conteúdo sobre os dados de 2018. Se quiser ler o texto completo, basta clicar aqui.

Primeiro erro dos brasileiros: não investir

Como explicado na primeira parte da nossa análise, cerca de 38% da população brasileira conseguiu economizar algum dinheiro em 2019.

Uma boa notícia é o fato de que, entre as pessoas que economizaram, 42% delas investiram o dinheiro em alguma aplicação financeira.

Porém, em comparação aos dados do relatório anterior, esses números não são muito animadores. Em 2018, 48% do universo de pessoas que economizaram aplicou em algum produto financeiro, o que representa uma queda de seis pontos percentuais.

Quando a população geral é pautada, não apenas as que economizaram, as informações são muito mais alarmantes.

De acordo com o relatório, apenas 29% dos brasileiros fizeram algum investimento no ano passado (2019). No entanto, a maior parte do dinheiro não é investido em produtos financeiros e então, quando consideramos apenas aplicações, o número de investidores cai para 10%.

Alguns dos investimentos citados pelos 3,4 mil entrevistados foram renda fixa, ações, compra de um imóvel para recebimento de aluguel, criptomoedas, curso de capacitação profissional, compra de carro e diversos outros.

Isso mostra que os brasileiros têm percepções muito diferentes sobre investimento, mas poucos utilizam produtos financeiros para isso.

A falta de investimentos é algo preocupante sobre a população brasileira, pois existe um fator que nos faz perder dinheiro diariamente: a inflação.

As coisas que poderiam ser compradas na década de 90, por exemplo, por um valor, hoje são compradas por um valor muito superior, já que o dinheiro vai perdendo o poder de compra ao longo dos anos.

Por isso, se o seu dinheiro não está investido, você perde um pouquinho diariamente, visto que ele não acompanha os efeitos da inflação.

Outro ponto é que a ausência de um investimento impossibilita que o brasileiro crie uma reserva de emergência. Por isso, ao passar por um período de dificuldade financeira ou necessidade imediata de dinheiro, as pessoas acabam se endividando a partir de empréstimos em bancos.

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O segundo (e favorito) erro dos brasileiros: a poupança

A famosa poupança continua no topo. Investimento mais comum entre os brasileiros, ela está presente na carteira de 84,2% dos investidores.

Porém, como explicamos em um outro texto, esse cenário deveria ser revertido, uma vez que os retornos são muito baixos e os mesmos benefícios podem ser obtidos em outros investimentos, mesmo com o pagamento de impostos.

O gráfico acima compara em 10 anos o rendimento obtido em um investimento de R$ 100 mil na poupança e em um CDB que rende 100% do CDI, já que a segurança e liquidez dos dois são parecidos.

É possível observar que o CDB teria um retorno 25% maior, mesmo após o pagamento de impostos, o que evidencia a falta de atratividade da poupança e a existência de produtos mais adequados.

A poupança é utilizada de forma igualitária entre homens e mulheres, com o perfil de 50% cada. Já o perfil dos investidores que não a utilizam é, majoritariamente, composto por homens inseridos na classe média.

Com uma distância imensa, os demais investimentos mais utilizados são:

  • 6% - Fundos de investimento
  • 5% - Previdência privada
  • 5% - Títulos privados
  • 4% - Títulos públicos
  • 3% - Ações
  • 2% - Moedas estrangeiras

O período das aplicações também é algo interessante:

Para a poupança, cerca de 24% dos entrevistados afirmaram manter o dinheiro por mais de 19 anos, enquanto a média do tempo de investimento é de 11 anos.

Isso mostra o despreparo e falta de planejamento no momento de escolher uma aplicação. As vantagens mais apontadas por usuários da poupança é a segurança e a liquidez diária. De fato, a poupança é um investimento seguro, mas há tantos outros tão seguros quanto e com maior rentabilidade.

Porém, os investidores da poupança devem rever o interesse na alta liquidez, uma vez que deixam o dinheiro aplicado por 11 anos, em média.

O que nos leva para o terceiro erro: falta de planejamento financeiro para a escolha dos investimentos.

Há aplicações muito mais vantajosas durante esse período do que a poupança e isso deve ser avaliado com atenção.

Logo após a poupança, os períodos médios de aplicação nos outros produtos são:

  • 7 anos em fundos de investimento e planos de previdência privada
  • 5 anos em títulos privados (5 anos) e moedas estrangeiras
  • e 3 anos em títulos públicos.

Algo que tem crescido entre pessoas que investem é a confiança na ideia de que o dinheiro aplicado o ajudará a alcançar os objetivos. No ano de 2019, 39% das pessoas afirmaram pensar dessa forma.

Isso pode ser justificado por um possível aumento no conhecimento sobre os investimentos, riscos e prazos, uma vez que as pessoas passam a confiar mais naquilo que elas sabem como funciona.

As escolhas no momento da aplicação

Para os investidores, o ponto mais atrativo de aplicar o dinheiro é a segurança financeira e a possibilidade de criar recursos para uma reserva.

Além disso, o retorno obtido a partir do investimento é uma justificativa também muito apontada pela população investidora para continuar com o dinheiro aplicado.

Os investidores brasileiros afirmam que os fatores mais relevantes na hora de escolher um investimento são a segurança e o retorno.

Faz sentido observarmos que a poupança é o investimento mais utilizado pelos brasileiros quando o assunto é segurança.

A facilidade e comodidade desse investimento também são fatores responsáveis por sua relevância, além de ser uma aplicação frequentemente estimulada por bancos.

Quando o assunto é retorno, os fundos de investimento, títulos públicos e privados e ações na bolsa são os favoritos daqueles que levam em conta essa variável, de acordo com o relatório.

A busca por risco baixo combinada aos investimentos mais utilizados pelos brasileiros mostram que a maioria da população está entre os perfis conservadores e moderados.

Para saber mais sobre perfil de investidor, verifique esse nosso outro conteúdo.

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O que os brasileiros fazem com os rendimentos

A casa própria é o sonho de grande parte dos investidores brasileiros atualmente. 35% das pessoas que têm alguma aplicação financeira afirmam que planejam usar o dinheiro investido para a compra de um imóvel.eira.

Há também a preocupação com a reserva de emergência, uma vez que parte dos investidores (17%) planeja manter o dinheiro aplicado para algum momento inesperado no futuro.

Outros destinos são viagens, compra de carro, educação, aposentadoria, construção ou reforma de casa e manter aplicado para o futuro dos filhos.

Quarto erro: os investidores brasileiros não utilizam a tecnologia a seu favor

A busca por informações sobre investimentos ainda não é bem utilizada.

A maioria dos brasileiros (40% dos entrevistados) se informa sobre investimentos presencialmente, a partir de conversas com o gerente do banco ou assessor financeiro.

Porém, há uma característica de idade curiosa na busca por informações presenciais, pois ela é utilizada, principalmente, por pessoas mais velhas. Assim, 47% da população investidora acima dos 60 anos se informa sobre investimentos exclusivamente com o gerente do banco.Com a difusão da tecnologia, a busca por informações na internet também tem crescido e é utilizada por 32% dos entrevistados.

Porém, pela elevada quantidade e qualidade de conteúdos, bem como a facilidade de acesso, este número deveria ser muito maior.

Logo em seguida, há a fonte de informação através de amigos e parentes, além de aplicativos de corretoras e telefone.

Além do predomínio das informações no banco, a aplicação dos investimentos quase sempre também é feita presencialmente. 70% dos entrevistados afirmam que investem diretamente com o gerente da instituição financeira, seguidos por 30% que utilizam o aplicativo do banco.

Ou seja, poucos investidores confiam e utilizam a internet e métodos mais tecnológicos para investir.

Porém, o uso dessas ferramentas colabora para a praticidade na hora de investir e de se informar, o que pode estimular mais pessoas a entrarem no mundo dos investimentos.

Conclusão

Embora os dados de investidores brasileiros estejam se tornando mais positivos ao longo dos anos, é preciso se atentar ao fato de que menos da metade dos brasileiros investe algum recurso.

Os dados apresentados sobre o baixo número de investidores e o protagonismo da poupança mostram que o brasileiro ainda comete muitos erros quando o assunto é organização financeira e investimentos.

O Poupador Inteligente busca incentivar as pessoas à busca pelo conhecimento e democratização dos investimentos, pois acreditamos que devem estar ao alcance de todos!

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Rafael Corrêa
Giovanna Oliveira
Publicado em Dezembro de 2020
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