Economia brasileira: o que a população sabe sobre finanças

A ausência da educação financeira é um dos fatores que acentuam a desinformação e o despreparo financeiro da população brasileira, reforçando as desigualdades tão presentes em nosso país.

Buscar informações sobre finanças nem sempre é fácil. É muito comum ouvirmos que economia é um assunto chato e investimento é coisa de quem tem dinheiro sobrando.

O Poupador Inteligente busca desmitificar essa ideia e mostrar a todos a importância do planejamento financeiro.

Assim, você pode aprender com os erros da população brasileira e saber como se organizar economicamente. Além disso, pode ajudar amigos e familiares com o seu conhecimento.

Os dados apresentados neste texto foram extraídos do relatório “Raio-X do Investidor Brasileiro 2020”, realizado pela ANBIMA (Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) em pesquisa conjunta com o Datafolha. Os números da pesquisa refletem entrevistas feitas em 2019.

Em fevereiro deste ano, também produzimos um conteúdo sobre os dados de 2018. Se quiser ler completo, basta clicar aqui.

Quem foram as pessoas que economizaram em 2019

Em 2019, cerca de 39% da população brasileira conseguiu economizar algum dinheiro.

Embora esse número reflita menos da metade da população, ele mostra um resultado promissor: aumento de 5 pontos percentuais em relação à pesquisa do ano passado (34%).

O perfil de quem conseguiu economizar é bem definido: homens (59%), entre 16 e 34 anos (48%) e da classe C (54%).

Talvez essas informações tenham causado surpresa. Você esperava que a classe C fosse a principal a poupar?

As fontes para economizar vão desde a diminuição das dívidas até pesquisas por produtos mais baratos antes de comprar. O mais relevante é a eliminação de compras desnecessárias, com 47% das respostas.

Entre as pessoas que economizaram, a maioria (42%) destinou o dinheiro a aplicações financeiras em renda fixa e ações.

Conhecimento dos brasileiros sobre finanças

Na pesquisa, também é medido o conhecimento dos brasileiros sobre investimentos e finanças em geral, a partir de dois métodos: o espontâneo e o estimulado.

Os resultados no método espontâneo são desanimadores, uma vez que apenas 48% das pessoas sabem citar, de cabeça, algum tipo de investimento. E mais, entre as pessoas que citaram, 28% lembraram da poupança.

No método estimulado, são citados diversos produtos de investimento e basta a pessoa confirmar se conhece ou não.

Os 52% que anteriormente afirmaram não conhecer nenhum investimento foram reduzidos para apenas 2%, sob esse novo método. Nesse caso, o investimento mais conhecido continua sendo a poupança, com 90% de respostas “sim”.

Além do conhecimento sobre produtos, foram feitas perguntas sobre juros, inflação e risco, para medir o entendimento sobre conceitos básicos da economia. A porcentagem de pessoas que respondeu corretamente cada uma das perguntas foi de 72%, 50% e 58%, respectivamente, mostrando que a inflação ainda pode ser um conceito difícil de compreender para a maioria da população brasileira.

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Vantagens e desvantagens de investir

A principal vantagem apontada pela população é a segurança financeira e a possibilidade de juntar uma reserva, com 43% das respostas. Além disso, foram citados o retorno obtido (22%) e a possibilidade de retirar o dinheiro sem prejuízo em caso de necessidade (7%).

Entre as desvantagens, a mais indicada pelos entrevistados é o baixo retorno das aplicações, com 34% das respostas. Um outro público muito próximo, de 33%, não vê desvantagem alguma em investir.

Os não investidores: quem são eles e quais os motivos?

Os não investidores abordados pela pesquisa representam 56% da população brasileira.

Esse número é dividido entre pessoas que não guardam dinheiro de forma alguma e pessoas que não usam produtos financeiros como modo de investir.

Os que afirmam não guardar dinheiro somam cerca de 49%, o que representa aproximadamente 47 milhões de brasileiros, uma parcela extremamente relevante da população.

As pessoas que não utilizam produtos financeiros como forma de guardar dinheiro representam 7% dos entrevistados.

Elas afirmam investir para recebimento de aluguel, compra de carros, ou qualquer outro método que não seja considerado diretamente um investimento.

Os não investidores são, principalmente: pais, de 41 anos, com ensino médio completo e atividade remunerada, residentes do Sudeste ou Nordeste e pertencentes da classe C.

Provavelmente esse é o perfil de alguém que você conhece. Você sabe se essa pessoa não investe?

O principal motivo para não investir é a falta de recursos, desemprego ou salário baixo. Essa justificativa foi utilizada por 74% das pessoas que não investiram no ano passado.

A indicação do desemprego reforça a necessidade de sempre ter uma reserva de emergência, como já foi explicado nesse outro conteúdo. Assim, ao passar por uma situação dessas, as dificuldades poderiam ser amenizadas.

Já a respeito da falta de recursos ou salário baixo, há também outra problemática envolvida, tão séria quanto.

Um imenso número de brasileiros não tem sequer um controle do que é gasto mensalmente. A maioria das pessoas não calcula o dinheiro que poderia ser economizado com o corte de compras desnecessárias, por exemplo.

Um motivo que chama a atenção é a falta de interesse por investimentos, como indicado por 7% dos não investidores. Esse número teve um crescimento de quatro pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, o que se torna algo alarmante.

Esses dados mostram a necessidade de incentivar as pessoas em geral à informação sobre investimentos. É compreensível que sem o conhecimento do assunto grande parte da população não se interesse ou não entenda a importância dos investimentos e organização financeira.

Uma informação positiva é que 59% dos não investidores estão planejando fazer algum tipo de aplicação no próximo ano. E, como a pesquisa foi feita em 2019, o “próximo ano” se refere a 2020. Na época, os efeitos da pandemia ainda não eram previstos e provavelmente veremos esse reflexo na próxima pesquisa, já que a maioria da população sofreu os efeitos de gastos inesperados.

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Percepção do brasileiro sobre a aposentadoria

O relatório também mostra a percepção de gastos e planejamento durante a aposentadoria.

O ano de 2019 foi o da reforma da previdência. Você provavelmente viu a notícia da reforma em todos os jornais, mas talvez não saiba quais os possíveis efeitos na sua vida.

A média de idade para se aposentar desejada pelos brasileiros é 59,8 anos e 51% das pessoas estimam que o dinheiro do sustento será totalmente gerado pelo INSS.

O problema é que, a partir da reforma da previdência, a idade mínima para se aposentar é 62 anos para mulheres e 65 para homens. Portanto, os brasileiros não poderão se aposentar na idade desejada, a não ser que invistam na previdência privada — explicada pelo Poupador Inteligente nesse texto.

Além disso, a maioria dos aposentados afirma que as despesas aumentaram após a aposentadoria, o que demanda um maior planejamento.

Portanto, isso mostra que os brasileiros não têm conhecimento e nem planos financeiros para os anos de descanso na aposentadoria. Isso é algo que deve ser analisado com calma e consciência, assim, as pessoas devem analisar a previdência com seriedade e informação.

Conclusão

É de conhecimento comum o fato de que o brasileiro ainda tem muito a aprender sobre economia e investimentos.

A educação financeira é algo que nunca foi incentivado nas escolas, famílias e entre pessoas com menos acesso à informação.

Os dados apresentados sobre a realidade financeira, desconhecimento sobre investimentos e baixo número de pessoas que economizaram algum dinheiro nada mais são do que um reflexo da falta de informação e incentivo ao conhecimento sobre economia no Brasil.

Por isso, o Poupador Inteligente busca democratizar esse conhecimento, que deve estar ao alcance de todos!

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Rafael Corrêa
Giovanna Oliveira
Publicado em Dezembro de 2020
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